andar sem rumo. sem relógio no pulso, sem tremores ansiosos no lado esquerdo do peito, sem pressões de chegar a um destino inexistente.
andar, simplesmente andar. andar para cansar os membros, já que já não há força para fazer correr o rio de lágrimas que nasce dos olhos.
andar... sem voltar. sem sequer olhar para trás.
andar no escuro sem ser necessário nos sentirmos, sem mãos desesperadas a descobrirem os corpos que estagnaram no tempo em esperas inúteis, sem as bocas e os sentidos sentirem o sal das memórias que correm pelo rosto, sem os olhos verem e, muitos menos, repararem, no vazio em que insistimos dançar sem música a acompanhar-nos.
andar no escuro sem ser necessário nos sentirmos, sem mãos desesperadas a descobrirem os corpos que estagnaram no tempo em esperas inúteis, sem as bocas e os sentidos sentirem o sal das memórias que correm pelo rosto, sem os olhos verem e, muitos menos, repararem, no vazio em que insistimos dançar sem música a acompanhar-nos.
o desespero em forma de passos ressoa no piso de madeira que não tarda em cair, de tão degradado que está. o chumbo que cobre o soalho pesa. destrói. as estações passam. e, mesmo assim, o chão teima em não cair.
no entanto, mesmo assim, continua tão degradado... tão suplicante por um fim merecido à agonia constante que insiste em ficar, por não saber partir.
o chão está tão degradado como a vida que passa por ele, mundana, banal... triste. tão triste como nós.
o chão está tão degradado como a vida que passa por ele, mundana, banal... triste. tão triste como nós.
tanto que temos em comum com o chão que pisamos e não nos deixa cair no fundo da sobrevivência em que vivemos, meu amor.
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