porquê o cinema?
perguntam-me porquê que gasto tanto do meu tempo livro a ver filmes. porquê que fico tão feliz se consigo ver quinze filmes em um mês ou mais de um filme em um dia. porquê que me entusiamo tanto quando sei que o certo realizador vai recomeçar a filmar, se um certo ator ou atriz vai entrar num filme novo, se vai sair algum seguimento de alguma saga ou a adaptação de algum livro para a tela. perguntam-me porquê que me apaixono por trailers e porquê que o meu gênero favorito de filmes são os dramas, os filmes mais tristes, os mais longos, os mais obscuros... perguntam-me porquê que me deixo afetar tanto por cinema. mas não consigo explicar. esta minha paixão é algo demasiado forte para colocar em palavras.
não ligo a cinema desde sempre. no meu passado, em alguns momentos até, tive vergonha de assumir que nunca tinha visto certos filmes. que, muito sinceramente, o único filme que de facto lembrava-me que tinha visto e que tinha gostado tinha sido o Moulin Rouge.
no entanto, em 2011, comecei a namorar. tanto foi o meu primeiro grande amor como a minha primeira grande desilusão mas, de certo modo, agradeço que assim tenha sido. nem é pela pessoa, é-me completamente indiferente, de longe, já. no entanto, desculpem estar a dizer isto desta maneira, mas a partida dessa pessoa trouxe-me tempo livre. e que maneira melhor de preencher o meu tempo livre que com algo que eu gostaria de aprofundar? foi a melhor coisa que fiz. e agradeço ao meu ex-namorado por me ter encaminhado para o cinema. por me ter encaminhado para o meu futuro. por me ter encaminhado para o sítio que me faz sentir completa durante a duração de uma qualquer película. por me ter encaminhado, de um modo muito, muito indireto, para Londres.
o que eu mais gosto no cinema é o facto dele conseguir ser tão cru, duramente real. as músicas, as bandas sonoras... os jogos de luzes e de sombras... os argumentos imaginários e geniais e aqueles que são tão reais que nos dão vontade de chorar. os diálogos inteligentes e os atores majestosos. os realizadores experientes que vão correspondendo às expectativas e os novos que nos vão surpreendendo.. o cinema independente... o amor em forma de filme. e tanto, tanto mais.
os melhores filmes não são os clássicos, são aqueles que nos marcam. e, sinceramente, um filme que nos faz chorar, é sempre um filme bom. não interessa se não o é para a crítica... mas se nos faz reagir assim, é porque nos tocou, de facto. penso que isso é o que mais interessa.
não consigo explicar este amor tão grande que tenho por esta arte tão complexa e completa, uma total junção do abstrato de sentimentos invisíveis com as palavras desenhadas em paciência por um final (im)perfeito.
cinema é amor. sem dúvida. o meu maior amor.
tudo isto porque ontem vi O Pianista e ele relembrou-me o que é apaixonar-me, entusiasmar-me, tremer, desesperar, por um filme. como é que é possível as pessoas dizerem que tal coisa é impossível...
quem não sabe o que é assistir a algo que nos fere e preenche ao mesmo tempo não sabe o que é amor... não. não sabe o que é cinema.
existem mesmo paixões impossíveis de serem descritas.