2013-02-06



Shhhhhhhhhh, não fales agora.
Ele anda aí, procura-nos como as mães buscam as crianças que fogem, sozinhas e perdidas na inocência da idade.
Neste momento, essas crianças somos nós. No entanto, nós preferimos manter a inocência entre todos estes olhares carinhosos, sorrisos cúmplices e conversas de horas que não nos levam a lado nenhum sem ser mais perto um do outro.
O tempo procura-nos... Envolve-se com os relógios pelo caminho, dá corda a uns e leva outros pela estrada fora. Mas não o quero entre nós. O tempo, não o quero aqui.
Podemos esconder-nos dele? Enquanto pudermos, enquanto conseguirmos? Quero fugir para não voltar à rotina monótona que não te tem lá. Que não tem a tua gargalhada fácil e, muito menos, o calor das tuas mãos quando acarinham a minha face.
Podemos-nos perder nos ponteiros das horas, que são os que mais custam a mover-se? Podemos ficar por aqui, ver o sol a beijar o horizonte enquanto me dás um beijo de respeito só porque sim, só porque não temos que nos despedir?
Shhhhh, não digas nada, o tempo ouve-nos. Vamos deixá-lo passar sem passar por nós, crianças esquecidas nesta inconsciência sentimental que nos vai levar à perdição e à corrupção da inocência que antes acompanhava os nossos lábios virgens de medo, de desilusão, de tristeza.
Eu quero ser inconscientemente feliz contigo.
Podemos assim ser, então, sem precisarmos de falar? Ser, sendo nós... Ser?
Partilhamos silêncio numa cumplicidade que não precisa de palavras para se fazer notar.
Shhh... É melhor ficarmos por aqui esta noite...
Adormeço no teu abraço enquanto a luz da alvorada não vem e o tempo em forma de mãe não nos encontra para nos levar de volta a casa... À casa vazia que é a ausência daquilo que fomos, enquanto brincávamos na rua, perdidos na inocência dos nossos corações ainda intactos... Ainda tão novos e belos para serem despedaçados.


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