2013-01-17



e depois existes tu, que balanças entre a Beleza e a Irrealidade. tu, que danças entre a Beleza do ser, por seres tão estranhamente natural em tudo o que és, em tudo o que mostras, e a Irrealidade da tua própria existência, por ser tão estranhamente anormal isso acontecer nos dias de hoje.
e o pior, o mais triste disto tudo, é que não reconheces no espelho o quão belo és. vês as imperfeições que nem te são fieis, apenas olhas aos defeitos que pouco existem face a tudo o resto que tão magnificamente te compõe. 
aos meus olhos és assim. tão... tão qualquer coisa que dá vontade de chorar. tão qualquer coisa que faz todos os outros estagnarem à tua passagem, congelarem com a doce melodia da tua gargalhada, encolherem-se com o mistério que deixas quando partes, aproveitarem o brilho que deixas quando estás.
mas não o reconheces, não consegues reconhecer a realidade que está muito além do espelho, dos reflexos das poças de água dos dias de chuva que, mesmo assim, não conseguem apagar a tua luz tão calorosa, tão inquietante. 
dou-te os meus olhos para conseguires ver quem és de uma vez por todas. para passares a reparar, como eu reparo, em vez de simplesmente olhares para o que te é mostrado.
dava-te os meus olhos para veres de uma vez por todas o quão belo és, porra. para largares o que te torna humano, para honrares as capacidades que tens para seres muito mais que isso. para largares o que te prende ao chão e voares sem precisares de asas.
tens capacidades de mudar o Mundo, tens... tens, em ti, o suficiente para mudar o meu Mundo, pelo menos.
ignora o que vês. repara no que sentes e, aí, vais mergulhar na realidade do teu próprio ser, dentro da irrealidade que é ser alguém como tu. ser, simplesmente, tu mesmo.
por vezes penso avistar-te na longe no céu escuro, perto das estrelas...

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